PROFESSOR DO SÉCULO XXI - Não há ensino se não tiver quem aprenda.
Assim, ensinar não é transmitir conhecimentos, mas criar possibilidades para a
sua produção ou construção.
Um fenômeno vital para que isso ocorra é a curiosidade. O professor
precisa ter o conteúdo e preocupação de interagir o aluno com o mundo; produzir
sua compreensão do que vem sendo comunicado; intervir para que aconteça a
transformação da realidade; saber ouvir o aluno. É indispensável ter esperança;
mudar com o mundo; ter segurança em si; dominar a disciplina; provocar avanços
que não ocorreriam espontaneamente; desenvolver no aluno o raciocínio
hipotético-dedutivo, indispensável para a interpretação textual; pesquisar em
diferentes fontes; impor através de argumentos e não por força ou alteração do
tom na fala; trabalhar a interdisciplinaridade.
APRENDER PODE SER DIVERTIDO
Avestruz
Mário Prata
O
filho de uma grande amiga pediu, de presente pelos seus dez anos, uma avestruz.
Cismou, fazer o quê? Moram em um apartamento em Higienópolis, São Paulo. E ela
me mandou um e-mail dizendo que a culpa era minha. Sim, porque foi aqui ao lado
de casa, em Floripa, que o menino conheceu as avestruzes. Tem uma plantação,
digo, criação deles. Aquilo impressionou o garoto.
Culpado, fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruzes. E se entregavam em domicílio.
E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de ave. A avestruz foi um erro da natureza, minha amiga. Na hora de criar a avestruz, deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a um boi. Sabe quanto pesa uma avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase três metros. 2,7 para ser mais exato.
Culpado, fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruzes. E se entregavam em domicílio.
E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de ave. A avestruz foi um erro da natureza, minha amiga. Na hora de criar a avestruz, deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a um boi. Sabe quanto pesa uma avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase três metros. 2,7 para ser mais exato.
Mas eu estava falando da sua criação por deus. Colocou um pescoço que não tem absolutamente nada a ver com o corpo. Não devia mais ter estoque de asas no paraíso, então colocou asas atrofiadas. Talvez até sabiamente para evitar que saíssem voando em bandos por aí assustando as demais aves normais.
Outra coisa que faltou foram dedos para os pés. Colocou apenas dois dedos em cada pé. Sacanagem, Senhor!
Depois olhou para sua obra e não sabia se era uma ave ou um camelo.
Tanto é que logo depois, Adão, dando os nomes a tudo que via pela frente, olhou para aquele ser meio abominável e disse: Struthio camelus australis. Que é o nome oficial da coisa. Acho que o struthio deve ser aquele pescoço fino em forma de salsicha.
Pois um animal daquele tamanho deveria botar ovos proporcionais ao seu corpo. Outro erro. É grande, mas nem tanto. E me explicava o criador que elas vivem até os setenta anos e se reproduzem plenamente até os quarenta, entrando depois na menopausa, não têm, portanto, TPM. Uma avestruz com TPM é perigosíssima!
Podem gerar de dez a trinta crias por ano, expliquei ao garoto, filho da minha amiga. Pois ele ficou mais animado ainda, imaginando aquele bando de avestruzes correndo pela sala do apartamento.
Ele insiste, quer que eu leve uma avestruz para ele de avião, no domingo. Não sabia mais o que fazer.
Foi quando descobri que elas comem o que encontram pela frente, inclusive pedaços de ferro e madeiras. Joguinhos eletrônicos, por exemplo. máquina digital de fotografia, times inteiros de futebol de botão e, principalmente, chuteiras. E, se descuidar, um mouse de vez em quando cai bem.
Parece que convenci o garoto. Me telefonou e disse que troca o avestruz por cinco gaivotas e um urubu.
Pedi para a minha amiga levar o garoto num psicólogo. Afinal, tenho mais o que fazer do que ser gigolô de avestruz.
PRATA,
Mário. Avestruz. 5ª série/ 6º ano vol. 2 ;Caderno aluno p. 9 ;Caderno do
Professor p. 18.
A
contribuição do letramento escolar e das diversas disciplinas no processo de
formação do leitor
Para
Bakhtin (1934-35: 142), “o ensino das disciplinas verbais conhece duas
modalidades básicas escolares de transmissão que assimila o [discurso de]
outrem (do texto, das regras, dos exemplos): “de cór” e “com suas próprias
palavras”. […] O objetivo da assimilação da palavra de outrem adquire um
sentido ainda mais profundo e mais importante no processo de formação
ideológica do homem, no sentido exato do termo. Aqui, a palavra de outrem se
apresenta não mais na qualidade de informações, indicações, regras, modelos
etc., - ela procura definir as próprias bases de nossa atitude ideológica em
relação ao mundo e de nosso comportamento, ela surge aqui como a palavra autoritária e como a palavra internamente persuasiva.”
Ora, a escola e a educação básica são lugares sociais de ensino-aprendizagem de conhecimento acumulado pela humanidade – informações, indicações, regras, modelos –, mas também, e fundamentalmente, de formação do sujeito social, de construção da ética e da moral, de circulação das ideologias. Falar na formação do leitor cidadão é justamente não olhar só uma das faces desta moeda; é permitir a nossos alunos a confiança na possibilidade e as capacidades necessárias ao exercício pleno da compreensão. Portanto, trata-se de nos acercarmos da palavra não de maneira autoritária, colada ao discurso do autor, para repetí-lo “de cór”; mas de maneira internamente persuasiva, isto é, podendo penetrar plasticamente, flexivelmente as palavras do autor, mesclar-nos a elas, fazendo de suas palavras nossas palavras, para adotá-las, contrariá-las, criticá-las, em permanente revisão e réplica.
Ora, a escola e a educação básica são lugares sociais de ensino-aprendizagem de conhecimento acumulado pela humanidade – informações, indicações, regras, modelos –, mas também, e fundamentalmente, de formação do sujeito social, de construção da ética e da moral, de circulação das ideologias. Falar na formação do leitor cidadão é justamente não olhar só uma das faces desta moeda; é permitir a nossos alunos a confiança na possibilidade e as capacidades necessárias ao exercício pleno da compreensão. Portanto, trata-se de nos acercarmos da palavra não de maneira autoritária, colada ao discurso do autor, para repetí-lo “de cór”; mas de maneira internamente persuasiva, isto é, podendo penetrar plasticamente, flexivelmente as palavras do autor, mesclar-nos a elas, fazendo de suas palavras nossas palavras, para adotá-las, contrariá-las, criticá-las, em permanente revisão e réplica.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
BAKHTIN, M. M. (1934-35/1975) O discurso no romance. In: Questões de Literatura e de Estética – A teoria do romance, p. 71-210. SP: Hucitec/EdUNESP, 1988.
BAKHTIN, M. M. (1934-35/1975) O discurso no romance. In: Questões de Literatura e de Estética – A teoria do romance, p. 71-210. SP: Hucitec/EdUNESP, 1988.
SITUAÇÃO
DE APRENDIZAGEM
CONHECENDO UMA CRÔNICA NARRATIVA
CONHECENDO UMA CRÔNICA NARRATIVA
Nesta
Situação de Aprendizagem, o educando recapitulará as características de uma
narrativa. Na sequência, começará a compreender o conceito de gênero textual,
focalizando o estudo na crônica narrativa que compõe o texto “Avestruz” de
Mário Prata. Espera-se que, ao final
dessas aulas, o aluno reconte a narrativa lida por ele apenas por imagens,
contando a história de um jeito diferente e, também, seja capaz de responder,
com desenvoltura, uma ficha de leitura, identificando, no texto, os elementos
que compõe uma narrativa.
Público
alvo:
5ᵃ série / 6° ano.
Tempo
previsto: 2 a 4 aulas.
Conteúdos e Temas:
Traços característicos de crônica narrativa; leitura oral do texto
“Avestruz”; retomada de elementos da
narrativa; produção de crônica narrativa
e reconhecer os elementos da narrativa por meio de uma ficha de leitura.
Competências
e Habilidades: retomada dos elementos da narrativa;
análise do texto “Avestruz” com o objetivo de destacar a narratividade;
recontar a narrativa por meio de uma sequência de desenhos; interpretação do
texto narrativo.
Estratégias: Reprodução de crônica narrativa, por meio de
imagens, com base na leitura e análise do texto “Avestruz”; preencher uma ficha de leitura interpretando
o gênero narrativo.
Recursos:
Texto; lousa; caderno; música.
Avaliação: Ficha de Leitura; Reescrita, contando a
história de um jeito diferente; ilustração da crônica; discussão dirigida.
ATIVAÇÃO
DE CONHECIMENTOS DE MUNDO:
Ø Professor
fará uma sondagem inicial, uma conversa com os alunos e descobrir o que eles
sabem antes da leitura do texto:
Você
tem algum animal de estimação? Gostaria de ter um animal doméstico?
Qual
animal? Como ele é/seria?
Você
já viu um avestruz?
Conhece
a expressão “fulano tem estômago de avestruz”? O que significa isto?
Imagine
como seria ter em casa um avestruz de estimação.
ATIVAÇÃO
DE CONHECIMENTOS PRÉVIOS
O
professor deverá perguntar para turma o que eles esperam de um texto que tem
por título a palavra “Avestruz” (registrar, as respostas dos alunos, na lousa);
Em
seguida, questionar se conhecem ou já viram um avestruz;
Após
essa conversa inicial, mostrar a imagem de um avestruz e verificar se
corresponde com as expectativas esperadas.
LEITURA
E ANÁLISE DO TEXTO
O
Professor (a) lê o texto para os alunos, pausadamente, enfatizando as
características do avestruz;
Explicar
as palavras mais complicadas para que todos entendam o texto globalmente.
DEPOIS
DA LEITURA
O
professor questiona se seria possível ter um avestruz como animal de estimação;
Elencar
os motivos para ter ou não o avestruz de estimação;
Você
acha que a palavra avestruz serve como inspiração para um poema ou uma música?
Solicitar
que elaborem uma síntese do que entenderam do texto (registro no caderno);
forma de relerem o texto e internalizarem o mesmo, ampliando sua compreensão.
LEITURA
E ANÁLISE DE MÚSICA
O
professor usará a sala de multimídia onde apresentará o clip da música Ovo de
Avestruz de Saiddy Bamba.
Os
alunos deverão produzir uma paródia utilizando o texto Avestruz e o ritmo da
música Ovo de Avestruz; professor sendo o escriba; aprendendo brincando.
CONHECENDO
O AUTOR
Os
alunos pesquisarão na sala de
informática (acessa) sobre a vida do escritor MARIO PRATA e o carinho que ele dedica à cidade de Lins.
Após a pesquisa, em uma roda de conversa, discutir as informações obtidas.
Avaliação
Ficha de leitura
1-Título:
2-
Autor:
3-
Foco narrativo:
4- Personagens: Quais são? O que fazem na
história? Quem aparece mais vezes na história? Como é o(a) personagem
principal?
5- Conflito do texto: Por que e com quem a
personagem vai entrar em conflito? Que fatos acontecerão em conseqüência do
conflito inicial? Em que momento o conflito chegará a seu ponto mais alto? Como
será resolvido o conflito entre as personagens?
6- Tempo: Quando acontece os fatos?
7- Espaço: Onde se passa a maior parte da
história?
8- Enredo: Qual é a idéia principal da
história? De qual parte da história você mais gostou? Desenhe três cenas
importantes da história. Faça quadrinhos com legendas.
Comentários:
Você achou o título da história adequado? Por quê? Que outro título você
poderia dar a história? Retire cinco palavras da história e procure seu
significado no dicionário, escrevendo-as. Você gostou dessa história? Por quê?
Atividade
extra classe – Recontar a história, lida por ele, apenas por
imagens; contando a história de um jeito diferente.
E.E.
“DORIVAL CALAZANS LUZ PROF” – LINS/SP




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